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Revista sobre água envasada · Jacutinga, Sul de Minas

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Rótulo

Como ler o rótulo da garrafa de água mineral

Por Lucimara Tavares · Publicado em 07/11/2026 · Atualizado em 07/11/2026

Três garrafas plásticas de água de tamanhos diferentes com rótulos brancos e uma lupa sobre a bancada

O rótulo de uma garrafa de água mineral costuma receber menos atenção do que o de qualquer outro produto do supermercado. Parece não haver muito o que ler: é água. Mas aquele pedaço de papel ou plástico concentra informações que nenhum outro alimento traz, como o nome da fonte, a cidade onde ela fica, a composição química medida em laboratório e o número da autorização de lavra. Saber onde está cada dado ajuda a comparar marcas, conferir prazos e entender o que, de fato, está sendo comprado.

Comece pela denominação de venda

A primeira informação a procurar está na frente do rótulo, em destaque: o nome do produto. Existem três possibilidades principais. "Água mineral natural" indica água de fonte com composição química própria, envasada sem adição de sais. "Água natural" também vem de fonte, mas tem teores de minerais abaixo dos usados para classificá-la como mineral; em rótulos mais antigos aparece como "água potável de mesa". "Água adicionada de sais" é água potável preparada pela indústria com a adição de sais de uso permitido.

As três podem ser consumidas normalmente, mas são produtos diferentes, com regras diferentes. A denominação é o que permite comparar uma garrafa com outra de forma justa. Comparar uma água mineral natural com uma água adicionada de sais apenas pelo preço ou pelo formato da garrafa não faz muito sentido.

Nome e localização da fonte

Logo abaixo ou ao lado da denominação, o rótulo da água mineral natural informa o nome da fonte e o município e o estado onde ela está. Uma mesma empresa pode explorar mais de uma fonte, e cada uma tem composição própria. Por isso o nome da fonte é mais relevante do que o nome comercial estampado em letras grandes.

Perto dessas informações aparece o número da concessão de lavra, a autorização dada pela Agência Nacional de Mineração para a exploração daquela fonte. Ele funciona como uma identidade da captação e permite rastrear de onde veio a água.

O quadro de composição química

A parte mais técnica do rótulo é o quadro de composição química. Ele lista os elementos encontrados na análise da água, sempre em miligramas por litro (mg/L). Os mais comuns são cálcio, magnésio, potássio, sódio, bicarbonato, sulfato, cloreto, nitrato e fluoreto. Alguns rótulos trazem também estrôncio, bário e outros elementos presentes em pequenas quantidades.

Para ler o quadro, o caminho é comparar. Duas águas da mesma prateleira podem ter, por exemplo, 2 mg/L e 20 mg/L de sódio. Para a maioria das pessoas, essa diferença é pequena diante do sódio dos alimentos, mas ela interessa a quem segue dieta com restrição de sódio por orientação médica. O mesmo vale para o fluoreto, cuja presença acima de certos teores precisa ser destacada no rótulo, e para quem prepara mamadeiras: nesse caso, a escolha deve seguir a orientação do pediatra.

Logo após a composição, o rótulo indica o laboratório que fez a análise e a data em que ela foi feita. As análises são refeitas periodicamente, e a data mostra se o quadro é recente.

Classificação da água

Com base na composição, a água mineral recebe uma classificação, prevista no Código de Águas Minerais, o Decreto-Lei 7.841/1945. Alguns exemplos que aparecem nos rótulos: "oligomineral", para águas com baixo teor de minerais; "fluoretada", quando há fluoreto em quantidade relevante; "alcalino-bicarbonatada", quando há predominância de bicarbonato; "carbogasosa", para águas com gás carbônico natural.

A classificação é descritiva. Ela informa como a água é, e não que ela produz algum efeito no organismo. O rótulo não pode trazer promessas de benefício à saúde, e o consumidor deve desconfiar de qualquer embalagem ou propaganda que associe a água a tratamentos ou curas.

Características físico-químicas na fonte

Outro quadro reúne números medidos na própria fonte: pH, temperatura da água ao sair da fonte, condutividade elétrica e resíduo de evaporação a 180 °C, que corresponde à quantidade de sólidos dissolvidos. Pelo Código de Águas Minerais, fontes com água abaixo de 25 °C são chamadas de frias; acima disso, recebem outras denominações conforme a temperatura.

O pH costuma chamar atenção porque virou assunto de propaganda. Ele indica se a água é levemente ácida, neutra ou levemente alcalina, mas não é, sozinho, indicador de qualidade nem de benefício à saúde. Assim como a composição, é uma descrição da água.

Conteúdo, datas e lote

Por fim, há as informações comuns a qualquer alimento embalado: conteúdo líquido em mililitros ou litros, data de envase, prazo de validade e lote. Nas garrafas pequenas, as datas e o lote costumam estar impressos no gargalo ou na tampa. Nos garrafões, podem estar no rótulo, no lacre ou na tampa.

Também aparecem o nome e o CNPJ da empresa envasadora, o endereço e um canal de atendimento ao consumidor. Se a água apresentar cheiro, gosto, cor ou partículas fora do normal, esses dados permitem fazer a reclamação com precisão. Guarde a embalagem e anote o lote antes de descartar o produto.

Uma rotina rápida de leitura

Na próxima compra, vale testar uma sequência simples. Primeiro, a denominação na frente do rótulo. Depois, o nome e o município da fonte. Em seguida, o quadro de composição, com atenção especial ao sódio se houver orientação médica nesse sentido. Por último, a validade e o estado da embalagem: tampa intacta, lacre inteiro, garrafa sem amassados ou vazamentos.

São menos de dois minutos. A partir daí, a escolha entre uma marca e outra deixa de depender só do formato da garrafa e passa a considerar o que está escrito nela.

Lucimara Tavares

Escreve sobre rotulagem e normas de águas envasadas para a Aguacqualina.

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